Pular para o conteúdo principal

O maior desejo de uma mulher


 

Um rei recebeu inesperadamente a visita da morte. Calmamente, ela se aproximou dele e disse que ia levá-lo. Ele pediu, implorou e a morte propôs-lhe não levá-lo se, em até trinta dias, ele revelasse a ela a resposta do seguinte enigma: “Qual o maior desejo de uma mulher?”

 Desesperado pela resposta, ele saiu à procura de todas as mulheres do seu reino e ouviu a todas, mas os desejos não combinavam.

Soube, então, que havia uma feiticeira muito sábia lá no alto da colina que poderia ajudá-lo. Assim, para lá se dirigiu, apesar de ser avisado de que a aparência dela era perturbadora. Relatavam que não havia na face da terra uma mulher mais feia que ela.

 Lá chegando, assustou-se com a feiura da feiticeira. Era mesmo a mulher mais feia já vista.

 Ela aceitou ajudá-lo, desde que ele desse a ela em casamento o mais belo de seus cavaleiros. O rei, sem poder contestar, aceitou.

 “Traga-o aqui e eu direi qual o maior desejo de uma mulher”, disse ela.

O rei convocou seu cavaleiro mais cobiçado da corte, que lhe devia obediência e este, apesar da dura responsabilidade que teria que aceitar, não hesitou em atendê-lo e se casou com a feiticeira.

Após algum tempo juntos, um dia, o cavaleiro lhe disse: “Já que você tem poderes, por que não os usa para melhorar a aparência?”

 Ela respondeu: “Posso usá-los, meu senhor, da seguinte maneira: ficarei bela durante o dia para que todos me vejam e à noite ficarei feia para o senhor; ou fico feia para todos durante o dia e bela para meu senhor durante a noite. Escolha!”

O cavaleiro pensou, pensou e após chegar a uma conclusão disse: “Escolha você.”

 E foi assim que a feiticeira se tornou a mais bela mulher de todo o reino.

Com essa atitude, o cavaleiro acabara descobrindo a resposta para o famigerado enigma. Assim, foi ao encontro do rei e lhe deu a resposta.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Marmita vazia

  Era manhã cedo quando Bob saiu de casa com sua mochila gasta e a marmita vazia. O estômago roncava, mas ele já estava acostumado: muitas vezes, o almoço era apenas silêncio. Na escola, tentava disfarçar a fome com sorrisos tímidos, mas os colegas percebiam o olhar perdido e a falta de energia.   Na hora do recreio, Bob caminhou até o bebedouro. A água era o único consolo que tinha. Enquanto bebia, seus amigos se entreolharam em silêncio. Sem combinar palavras, cada um tomou uma decisão simples, mas poderosa: dividir. Um tirou da mochila um pedaço de bolo, outro colocou um sanduíche, outro ainda acrescentou frutas. Um a um, foram enchendo a marmita que antes estava vazia.   Quando Bob voltou, encontrou sua marmita transformada em um banquete improvisado. Os olhos se encheram de lágrimas, não apenas pela comida, mas pelo gesto.   Crianças são observadoras. Elas já haviam percebido o problema de Bob.   Naquele dia, Bob entendeu que a fome machuca, mas a g...

Casinha branca

Eu tenho andado tão sozinho ultimamente Que não vejo em minha frente Nada que me dê prazer Sinto cada vez mais longe a felicidade Vendo em minha mocidade Tanto sonho a perecer. Eu queria ter na vida simplesmente Um lugar de mato verde Pra plantar e pra colher Ter uma casinha branca de varanda Um quintal e uma janela Para ver o sol nascer. Às vezes saio a caminhar pela cidade À procura de amizades Vou seguindo a multidão Mas eu me retraio olhando em cada rosto Cada um tem seu mistério Seu sofrer, sua ilusão. Eu queria ter na vida simplesmente Um lugar de mato verde Pra plantar e pra colher Ter uma casinha branca de varanda Um quintal e uma janela Para ver o sol nascer. Gilson

Epitáfio para o século XX

1.   Aqui jaz um século onde houve duas ou três guerras mundiais e milhares de outras pequenas e igualmente bestiais. 2. Aqui jaz um século onde se acreditou que estar à esquerda ou à direita eram questões centrais. 3. Aqui jaz um século que quase se esvaiu na nuvem atômica. Salvaram-no o acaso e os pacifistas com sua homeopática atitude -nux vômica. 4. Aqui jaz o século que um muro dividiu. Um século de concreto armado, canceroso, drogado,empestado, que enfim sobreviveu às bactérias que pariu. 5. Aqui jaz um século que se abismou com as estrelas nas telas e que o suicídio de supernovas contemplou. Um século filmado que o vento levou. 6. Aqui jaz um século semiótico e despótico, que se pensou dialético e foi patético e aidético. Um século que decretou a morte de Deus, a morte da história, a morte do homem, em que se pisou na Lua e se morreu de fome. 7. Aqui jaz um século que opondo class...