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Poema sagrado

  Se você ler ou recitar este poema, você será imortal. Porque este texto é sagrado. E sabe por que esse texto é sagrado?   Porque a minha respiração é sagrada, as batidas do meu coração são sagradas, meu sangue é sagrado, assim como o meu suor, minhas lágrimas, meu sofrimento e minha alegria.   Este poema não será lido em templos Nem louvará divindades.   Em segredos, sagrados, sincronizados sons e silêncios, o poema singra na alma.   Seremos espancados por realidades perversas e choraremos lágrimas de sangue.   Todavia, a esperança chegará na forma de um espelho quebrado.   Dito isso, o cálamo sacratíssimo das emoções reluzirá nossa pequenez e eu cometerei novos erros.   Todavia, a redenção chegará na forma de um céu estilhaçado.   E visto que perdoar é a mais difícil lição, um dia vou gritar exasperado com minhas versões anteriores e desenharei no ar o cio da beleza, a...

A jornada do herói de pele escura não escrita pelos europeus

Correndo pelas pistas com a minha bike, Ultrapassando carros com minha mochila, Virando nas esquinas com meu tênis nike, Capangas bem armados uniformizados. Pisando belas botas com brasão do Estado, Calçando gritaria e horror pra todo lado, Furei sinal de bike e fui capturado, E eu só queria jogar bola e ir para a escola. Falei que criei rocks e que entrei pra história, Fui precursor do samba e hoje é bossa nova, Fugi pro rio Mississipi e inventei o blues. Minhas vitórias e conquistas não convém. Me torno número e estatística em jornais. Século vinte um e ainda não encontramos paz… … Em vida. M. Sales

Sonhos

O patriarca do clã Yin, no estado de Chou, era dono uma grande fazenda. Lá, os seus servos trabalhavam, sem descanso, de sol a sol. Dentre estes, havia homem, já velho, cujos músculos estavam exauridos de tanto esforço. O líder do clã, todavia, continuava a encarregá-lo das mais árduas tarefas. Queixava-se o ancião da faina opressora enquanto diariamente cumpria os seus deveres no campo. À noite, dormia como um tronco, insensibilizado pelo cansaço e pelo espírito intensamente abatido. E todas as noites sonhava que era o rei daquelas glebas, que comandava toda aquela gente, e que se encarregava de todos os assuntos de estado. No palácio, seguia de festa em festa, sem preocupação alguma, e todos os seus desejos eram satisfeitos. Não havia limite aos seus prazeres. Mas, pela manhã, acordava e voltava ao trabalho duro. O ancião dizia àqueles que queriam consolá-lo: — O ser humano vive cem anos, dos quais uma metade são dias e a outra são noites. Durante o dia, sou um simples servo, e a...

O pescador e o empresário

Era uma vez um empresário que estava sentado na praia de uma pequena vila brasileira. Enquanto estava sentado, viu um pescador brasileiro remando um pequeno barco em direção à costa, tendo capturado alguns peixes grandes. O empresário ficou impressionado e perguntou ao pescador: “Quanto tempo você leva para pegar tantos peixes?” O pescador respondeu: “Ah, só um tempinho.” “Então por que você não fica mais tempo no mar e pega ainda mais?” O empresário ficou surpreso. “Isso é o suficiente para alimentar toda a minha família”, disse o pescador. O empresário então perguntou: “Então, o que você faz no resto do dia?” O pescador respondeu: “Bem, eu costumo acordar cedo de manhã, vou para o mar e pego alguns peixes, depois volto e brinco com meus filhos. À tarde, tiro uma soneca com minha esposa e, ao anoitecer, me junto aos meus amigos na vila para uma bebida — tocamos violão, cantamos e dançamos a noite toda.” O empresário deu uma sugestão ao pescador: “Sou doutor em administ...

Viver...

Viver é descobrir de súbito Que pode ser sempre novo     Um fato de todos os dias     (pela vista dos meus olhos) Não há sol que morra Sem que o declare A meu modo e maravilha Além da qual, se algo existe,     É menor,     Bem menor Que outros sintam o mesmo, Senhor. Lucinda Persona    

A mulher

  Ó Mulher! Como és fraca e como és forte! Como sabes ser doce e desgraçada!   Como sabes fingir quando em teu peito   A tua alma se estorce amargurada!   Quantas morrem saudosa duma imagem.   Adorada que amaram doidamente!   Quantas e quantas almas endoidecem   Enquanto a boca rir alegremente!   Quanta paixão e amor às vezes têm   Sem nunca o confessarem a ninguém   Doce alma de dor e sofrimento!   Paixão que faria a felicidade.   Dum rei; amor de sonho e de saudade,   Que se esvai e que foge num lamento!   Florbela Espanca