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O pescador e o empresário

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Viver...

Viver é descobrir de súbito Que pode ser sempre novo     Um fato de todos os dias     (pela vista dos meus olhos) Não há sol que morra Sem que o declare A meu modo e maravilha Além da qual, se algo existe,     É menor,     Bem menor Que outros sintam o mesmo, Senhor. Lucinda Persona    

A mulher

  Ó Mulher! Como és fraca e como és forte! Como sabes ser doce e desgraçada!   Como sabes fingir quando em teu peito   A tua alma se estorce amargurada!   Quantas morrem saudosa duma imagem.   Adorada que amaram doidamente!   Quantas e quantas almas endoidecem   Enquanto a boca rir alegremente!   Quanta paixão e amor às vezes têm   Sem nunca o confessarem a ninguém   Doce alma de dor e sofrimento!   Paixão que faria a felicidade.   Dum rei; amor de sonho e de saudade,   Que se esvai e que foge num lamento!   Florbela Espanca

A festa

  Na Califórnia, festas são aquelas ocasiões inesquecíveis nas quais os jovens ampliam suas relações sociais - ou não. Jordan estava ansioso para mostrar seu talento. Ele ensaiara a semana inteira e a dança seria o auge da festa. Mas, na hora da música principal, ele tropeçou e perdeu o ritmo. Encostou-se na parede, envergonhado, certo de que todos tinham reparado. Inesperadamente, uma garota que ele nunca tinha visto se aproximou e comentou, sorrindo: “Quem dança perfeito, é quem não se diverte. O passo que você acha que errou foi o único que me fez olhar pra você.” Jordan piscou, surpreso, e percebeu que talvez a graça estivesse justamente no deslize. Aquele erro trouxe para sua vida alguém que ele jamais iria querer ver longe.

Mensagem sagrada

Era uma vez, em uma vila encravada entre montanhas, um jovem chamado Arjun, conhecido por sua devoção. Todas as manhãs, ele se sentava sob uma figueira centenária, recitando sutras antigos com fervor. Suas palavras ecoavam pela vila, e os moradores o admiravam, chamando-o de “o sábio de coração puro”. Arjun colecionava textos sagrados, decorando cada verso, e suas falas eram tão belas que pareciam carregar a própria luz do sol.   Mas a vila enfrentava tempos difíceis. Uma seca castigava os campos, e o riacho que sustentava a todos estava quase seco. As crianças choravam de fome, e os idosos enfraqueciam. Enquanto Arjun recitava suas palavras sagradas, uma menina chamada Lila, com os pés descalços e o rosto empoeirado, aproximou-se dele.   — Arjun, suas palavras são lindas, mas por que o riacho não ouve? Por que a terra não responde? — perguntou ela, com olhos suplicantes.   Arjun, surpreso, citou um verso sobre paciência e fé. Lila franziu a testa e sentenciou...

A força e a sabedoria

Yulizi diz que a força do tigre é, sem dúvida alguma, superior à do homem. O tigre possui garras e dentes afiados e fortes, e o homem não. Logo, é natural que o homem seja devorado pelo tigre. Contudo, é raro se ter notícia de homem devorado por tigre, mas é frequente encontrar tapete de tigre nas casas. O que acontece? O tigre usa a força, enquanto o homem usa a inteligência. O tigre possui apenas garras e dentes afiados, enquanto o homem maneja armas. A força é equivalente a um, mas a inteligência é equivalente a cem. O tigre atua sozinho, enquanto o homem atua em grupo. Um tigre sempre perderá, caso lute contra cem homens, mesmo sendo feroz. Um homem só será alimento de tigre se for impedido de usar a sua inteligência ou de usar as suas armas. Por isso é que se diz que um homem que usa apenas a sua força e não a sua inteligência, ou atua sozinho e não em grupo, é considerado um tigre. Então, por que não usar as peles dessas pessoas nas casas, como tapetes? Liu Ji  

Salmo do homem que vê a realidade e não se cala

  Ouve, Senhor, estes versos que te rezo Ao contemplar a realidade em que vivo. Maldito seja o sistema que não deixa sonhar os poetas Nem permite dizer a verdade a quem pensa. Serão seus dias de luto e de lamento, Porque matou no Homem o mais digno. Maldito o sistema que não pratica a justiça E persegue e tortura e encarcera a quem anuncia. Terá que justificar sua conduta ante a história E não encontrará nenhuma palavra de defesa. Maldito seja o sistema que só procura a aparência de grandeza Quando estão morrendo de fome os homens nas suas fronteiras; Do mesmo modo que progrediu cairá, Porque construiu seus alicerces Sobre corpos vivos e sangues inocentes. Maldito o sistema que tenta matar no homem a dimensão de transcendência E coloca no seu lugar o “deus dinheiro” , o “deus sexo”, e “deus progresso”, Destruir-se-á por dentro irremissivelmente, Porque o coração do homem foi bem feito E ninguém pode matar em nós Esta sede de infinito que nos queima. Feliz s...