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A jornada do herói de pele escura não escrita pelos europeus

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Sonhos

O patriarca do clã Yin, no estado de Chou, era dono uma grande fazenda. Lá, os seus servos trabalhavam, sem descanso, de sol a sol. Dentre estes, havia homem, já velho, cujos músculos estavam exauridos de tanto esforço. O líder do clã, todavia, continuava a encarregá-lo das mais árduas tarefas. Queixava-se o ancião da faina opressora enquanto diariamente cumpria os seus deveres no campo. À noite, dormia como um tronco, insensibilizado pelo cansaço e pelo espírito intensamente abatido. E todas as noites sonhava que era o rei daquelas glebas, que comandava toda aquela gente, e que se encarregava de todos os assuntos de estado. No palácio, seguia de festa em festa, sem preocupação alguma, e todos os seus desejos eram satisfeitos. Não havia limite aos seus prazeres. Mas, pela manhã, acordava e voltava ao trabalho duro. O ancião dizia àqueles que queriam consolá-lo: — O ser humano vive cem anos, dos quais uma metade são dias e a outra são noites. Durante o dia, sou um simples servo, e a...

O pescador e o empresário

Era uma vez um empresário que estava sentado na praia de uma pequena vila brasileira. Enquanto estava sentado, viu um pescador brasileiro remando um pequeno barco em direção à costa, tendo capturado alguns peixes grandes. O empresário ficou impressionado e perguntou ao pescador: “Quanto tempo você leva para pegar tantos peixes?” O pescador respondeu: “Ah, só um tempinho.” “Então por que você não fica mais tempo no mar e pega ainda mais?” O empresário ficou surpreso. “Isso é o suficiente para alimentar toda a minha família”, disse o pescador. O empresário então perguntou: “Então, o que você faz no resto do dia?” O pescador respondeu: “Bem, eu costumo acordar cedo de manhã, vou para o mar e pego alguns peixes, depois volto e brinco com meus filhos. À tarde, tiro uma soneca com minha esposa e, ao anoitecer, me junto aos meus amigos na vila para uma bebida — tocamos violão, cantamos e dançamos a noite toda.” O empresário deu uma sugestão ao pescador: “Sou doutor em administ...

Viver...

Viver é descobrir de súbito Que pode ser sempre novo     Um fato de todos os dias     (pela vista dos meus olhos) Não há sol que morra Sem que o declare A meu modo e maravilha Além da qual, se algo existe,     É menor,     Bem menor Que outros sintam o mesmo, Senhor. Lucinda Persona    

A mulher

  Ó Mulher! Como és fraca e como és forte! Como sabes ser doce e desgraçada!   Como sabes fingir quando em teu peito   A tua alma se estorce amargurada!   Quantas morrem saudosa duma imagem.   Adorada que amaram doidamente!   Quantas e quantas almas endoidecem   Enquanto a boca rir alegremente!   Quanta paixão e amor às vezes têm   Sem nunca o confessarem a ninguém   Doce alma de dor e sofrimento!   Paixão que faria a felicidade.   Dum rei; amor de sonho e de saudade,   Que se esvai e que foge num lamento!   Florbela Espanca

A festa

  Na Califórnia, festas são aquelas ocasiões inesquecíveis nas quais os jovens ampliam suas relações sociais - ou não. Jordan estava ansioso para mostrar seu talento. Ele ensaiara a semana inteira e a dança seria o auge da festa. Mas, na hora da música principal, ele tropeçou e perdeu o ritmo. Encostou-se na parede, envergonhado, certo de que todos tinham reparado. Inesperadamente, uma garota que ele nunca tinha visto se aproximou e comentou, sorrindo: “Quem dança perfeito, é quem não se diverte. O passo que você acha que errou foi o único que me fez olhar pra você.” Jordan piscou, surpreso, e percebeu que talvez a graça estivesse justamente no deslize. Aquele erro trouxe para sua vida alguém que ele jamais iria querer ver longe.

Mensagem sagrada

Era uma vez, em uma vila encravada entre montanhas, um jovem chamado Arjun, conhecido por sua devoção. Todas as manhãs, ele se sentava sob uma figueira centenária, recitando sutras antigos com fervor. Suas palavras ecoavam pela vila, e os moradores o admiravam, chamando-o de “o sábio de coração puro”. Arjun colecionava textos sagrados, decorando cada verso, e suas falas eram tão belas que pareciam carregar a própria luz do sol.   Mas a vila enfrentava tempos difíceis. Uma seca castigava os campos, e o riacho que sustentava a todos estava quase seco. As crianças choravam de fome, e os idosos enfraqueciam. Enquanto Arjun recitava suas palavras sagradas, uma menina chamada Lila, com os pés descalços e o rosto empoeirado, aproximou-se dele.   — Arjun, suas palavras são lindas, mas por que o riacho não ouve? Por que a terra não responde? — perguntou ela, com olhos suplicantes.   Arjun, surpreso, citou um verso sobre paciência e fé. Lila franziu a testa e sentenciou...