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Mostrando postagens de 2026

Marmita vazia

  Era manhã cedo quando Bob saiu de casa com sua mochila gasta e a marmita vazia. O estômago roncava, mas ele já estava acostumado: muitas vezes, o almoço era apenas silêncio. Na escola, tentava disfarçar a fome com sorrisos tímidos, mas os colegas percebiam o olhar perdido e a falta de energia.   Na hora do recreio, Bob caminhou até o bebedouro. A água era o único consolo que tinha. Enquanto bebia, seus amigos se entreolharam em silêncio. Sem combinar palavras, cada um tomou uma decisão simples, mas poderosa: dividir. Um tirou da mochila um pedaço de bolo, outro colocou um sanduíche, outro ainda acrescentou frutas. Um a um, foram enchendo a marmita que antes estava vazia.   Quando Bob voltou, encontrou sua marmita transformada em um banquete improvisado. Os olhos se encheram de lágrimas, não apenas pela comida, mas pelo gesto.   Crianças são observadoras. Elas já haviam percebido o problema de Bob.   Naquele dia, Bob entendeu que a fome machuca, mas a g...

Poema sagrado

  Se você ler ou recitar este poema, você será imortal. Porque este texto é sagrado. E sabe por que esse texto é sagrado?   Porque a minha respiração é sagrada, as batidas do meu coração são sagradas, meu sangue é sagrado, assim como o meu suor, minhas lágrimas, meu sofrimento e minha alegria.   Este poema não será lido em templos Nem louvará divindades.   Em segredos, sagrados, sincronizados sons e silêncios, o poema singra na alma.   Seremos espancados por realidades perversas e choraremos lágrimas de sangue.   Todavia, a esperança chegará na forma de um espelho quebrado.   Dito isso, o cálamo sacratíssimo das emoções reluzirá nossa pequenez e eu cometerei novos erros.   Todavia, a redenção chegará na forma de um céu estilhaçado.   E visto que perdoar é a mais difícil lição, um dia vou gritar exasperado com minhas versões anteriores e desenharei no ar o cio da beleza, a...

A jornada do herói de pele escura não escrita pelos europeus

Correndo pelas pistas com a minha bike, Ultrapassando carros com minha mochila, Virando nas esquinas com meu tênis nike, Capangas bem armados uniformizados. Pisando belas botas com brasão do Estado, Calçando gritaria e horror pra todo lado, Furei sinal de bike e fui capturado, E eu só queria jogar bola e ir para a escola. Falei que criei rocks e que entrei pra história, Fui precursor do samba e hoje é bossa nova, Fugi pro rio Mississipi e inventei o blues. Minhas vitórias e conquistas não convém. Me torno número e estatística em jornais. Século vinte um e ainda não encontramos paz… … Em vida. M. Sales

Sonhos

O patriarca do clã Yin, no estado de Chou, era dono uma grande fazenda. Lá, os seus servos trabalhavam, sem descanso, de sol a sol. Dentre estes, havia homem, já velho, cujos músculos estavam exauridos de tanto esforço. O líder do clã, todavia, continuava a encarregá-lo das mais árduas tarefas. Queixava-se o ancião da faina opressora enquanto diariamente cumpria os seus deveres no campo. À noite, dormia como um tronco, insensibilizado pelo cansaço e pelo espírito intensamente abatido. E todas as noites sonhava que era o rei daquelas glebas, que comandava toda aquela gente, e que se encarregava de todos os assuntos de estado. No palácio, seguia de festa em festa, sem preocupação alguma, e todos os seus desejos eram satisfeitos. Não havia limite aos seus prazeres. Mas, pela manhã, acordava e voltava ao trabalho duro. O ancião dizia àqueles que queriam consolá-lo: — O ser humano vive cem anos, dos quais uma metade são dias e a outra são noites. Durante o dia, sou um simples servo, e a...

O pescador e o empresário

Era uma vez um empresário que estava sentado na praia de uma pequena vila brasileira. Enquanto estava sentado, viu um pescador brasileiro remando um pequeno barco em direção à costa, tendo capturado alguns peixes grandes. O empresário ficou impressionado e perguntou ao pescador: “Quanto tempo você leva para pegar tantos peixes?” O pescador respondeu: “Ah, só um tempinho.” “Então por que você não fica mais tempo no mar e pega ainda mais?” O empresário ficou surpreso. “Isso é o suficiente para alimentar toda a minha família”, disse o pescador. O empresário então perguntou: “Então, o que você faz no resto do dia?” O pescador respondeu: “Bem, eu costumo acordar cedo de manhã, vou para o mar e pego alguns peixes, depois volto e brinco com meus filhos. À tarde, tiro uma soneca com minha esposa e, ao anoitecer, me junto aos meus amigos na vila para uma bebida — tocamos violão, cantamos e dançamos a noite toda.” O empresário deu uma sugestão ao pescador: “Sou doutor em administ...