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Mostrando postagens de junho, 2025

O cético

Lucas era médico. Viu a vida começar e terminar incontáveis vezes. Sabia o limite exato entre a ciência e a esperança — e por isso, não acreditava em milagres. Para ele, curas inexplicáveis eram apenas falhas nos exames, erros estatísticos. Seu ceticismo o definia.   Certa manhã, recebeu no plantão uma criança com um tumor inoperável. A família fazia orações, amigos acendiam velas, estranhos faziam correntes de fé. Lucas fez o que pôde, mas no fundo já sabia o desfecho.   Sem explicação, o tumor desapareceu dias depois. Os exames estavam limpos. A equipe comemorou. Os pais choraram. Lucas, em silêncio, revia cada laudo, cada imagem, tentando encontrar o erro. Mas não encontrou. A única coisa que sabia é que queria muito a cura dela.   Na alta, a menina lhe entregou um bilhete: “Obrigada por cuidar de mim. Deus te ouviu também.”   Naquela noite, pela primeira vez, Lucas olhou para o céu - estupefato.  Havia gratidão por tudo o que o dia representa...