Lucas era médico. Viu a vida começar e terminar incontáveis vezes. Sabia o limite exato entre a ciência e a esperança — e por isso, não acreditava em milagres. Para ele, curas inexplicáveis eram apenas falhas nos exames, erros estatísticos. Seu ceticismo o definia. Certa manhã, recebeu no plantão uma criança com um tumor inoperável. A família fazia orações, amigos acendiam velas, estranhos faziam correntes de fé. Lucas fez o que pôde, mas no fundo já sabia o desfecho. Sem explicação, o tumor desapareceu dias depois. Os exames estavam limpos. A equipe comemorou. Os pais choraram. Lucas, em silêncio, revia cada laudo, cada imagem, tentando encontrar o erro. Mas não encontrou. A única coisa que sabia é que queria muito a cura dela. Na alta, a menina lhe entregou um bilhete: “Obrigada por cuidar de mim. Deus te ouviu também.” Naquela noite, pela primeira vez, Lucas olhou para o céu - estupefato. Havia gratidão por tudo o que o dia representa...