Eu vejo você Errando pela cidade atormentada Tropeçando em sua própria sombra À beira da rua À beira do caminho À beira da loucura. Eu vejo você Carregando o filho nos braços Quando ainda é madrugada Para a escola que você nunca frequentou À beira do sono À beira do esforço À beira da esperança. Eu vejo você Pela fresta de alguma janela alta Arremessando a dor com tanta força! À beira do abismo À beira do desencanto E da deserção. Eu vejo você Cuidando de um jardim que não é seu Mãos na terra, coração nos céus À beira de florir À beija de entender Quem lhe pôs aqui. Eu vejo você Num reflexo de um espelho qualquer (O espelho é o maior dos silêncios ) À beira da água À beira do mergulho À beira de si mesmo. Eu vejo você Vivendo o mesmo santo dia em repetição Há tantos e tantos santos anos À beira do absurdo À beira de encontrar um verso simples Que lhe convide a desp...