Pular para o conteúdo principal

O que eu gostaria de ser


 

Na sala de aula, a professora pediu aos alunos que fizessem uma redação com o título “O que eu gostaria de ser”. O tema era livre: as crianças poderiam ser um personagem, um objeto, uma pessoa ou um animal…

Já em casa quando corrigia as redações dos seus alunos, deparou-se com uma que a surpreendeu. O marido entrou na sala nesse momento e, vendo-a chorar, perguntou o que havia acontecido. Ela apenas lhe entregou a redação e pediu que lesse.

O marido começou a ler:

“Eu queria ser uma televisão. Quero ocupar o espaço dela, viver como ela vive.

Ter um lugar especial para mim e conseguir reunir a minha família ao meu redor.

Ser levado a sério quando falar, ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções e perguntas.

E se eu estiver calado, quero receber a mesma atenção que a televisão recebe quando não funciona.

Ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo cansado.

Que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar.

Que os meus irmãos briguem para poderem estar comigo!

Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.

Por fim, como a televisão faz, quero poder divertir a todos de minha família.

Se eu fosse uma TV, eu viveria com a mesma intensidade que a televisão da minha casa vive.”

Ao terminar de ler, o marido emocionado diz para a esposa:
– Meu Deus, coitado desse menino… que pais que ele tem!
A professora olhou bem nos olhos do marido e disse chorando:
– Essa redação é do nosso filho!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Marmita vazia

  Era manhã cedo quando Bob saiu de casa com sua mochila gasta e a marmita vazia. O estômago roncava, mas ele já estava acostumado: muitas vezes, o almoço era apenas silêncio. Na escola, tentava disfarçar a fome com sorrisos tímidos, mas os colegas percebiam o olhar perdido e a falta de energia.   Na hora do recreio, Bob caminhou até o bebedouro. A água era o único consolo que tinha. Enquanto bebia, seus amigos se entreolharam em silêncio. Sem combinar palavras, cada um tomou uma decisão simples, mas poderosa: dividir. Um tirou da mochila um pedaço de bolo, outro colocou um sanduíche, outro ainda acrescentou frutas. Um a um, foram enchendo a marmita que antes estava vazia.   Quando Bob voltou, encontrou sua marmita transformada em um banquete improvisado. Os olhos se encheram de lágrimas, não apenas pela comida, mas pelo gesto.   Crianças são observadoras. Elas já haviam percebido o problema de Bob.   Naquele dia, Bob entendeu que a fome machuca, mas a g...

Casinha branca

Eu tenho andado tão sozinho ultimamente Que não vejo em minha frente Nada que me dê prazer Sinto cada vez mais longe a felicidade Vendo em minha mocidade Tanto sonho a perecer. Eu queria ter na vida simplesmente Um lugar de mato verde Pra plantar e pra colher Ter uma casinha branca de varanda Um quintal e uma janela Para ver o sol nascer. Às vezes saio a caminhar pela cidade À procura de amizades Vou seguindo a multidão Mas eu me retraio olhando em cada rosto Cada um tem seu mistério Seu sofrer, sua ilusão. Eu queria ter na vida simplesmente Um lugar de mato verde Pra plantar e pra colher Ter uma casinha branca de varanda Um quintal e uma janela Para ver o sol nascer. Gilson

Brado negro

Braços negros erguidos clamam dignidade porque mais uma vida negra foi silenciada para sempre. O sangue derramado no chão diz: “Não seja o próximo!” Tiros, policiais, traficantes... Como se esquivar do abismo, do intolerante? O caos canta pela voz de coquetéis molotov, mas é o amor  que derruba a árvore da violência. Em hip-hops, pichações e protestos on-line a mesma máxima: “O negro sabe amar e sabe lutar!” Definitivamente, a noite grita por respeito e paz e depois o sol de cada dia forja a dignidade com corações puros: construir a igualdade destruída, unir negros e brancos, enfim, amar o ser humano. Uma criança negra me disse que o amor forja a vida pela luz de todas as cores. Anakin Ribeiro