Era uma
vez, em uma vila encravada entre montanhas, um jovem chamado Arjun, conhecido
por sua devoção. Todas as manhãs, ele se sentava sob uma figueira centenária,
recitando sutras antigos com fervor. Suas palavras ecoavam pela vila, e os
moradores o admiravam, chamando-o de “o sábio de coração puro”. Arjun
colecionava textos sagrados, decorando cada verso, e suas falas eram tão belas
que pareciam carregar a própria luz do sol.
Mas a
vila enfrentava tempos difíceis. Uma seca castigava os campos, e o riacho que
sustentava a todos estava quase seco. As crianças choravam de fome, e os idosos
enfraqueciam. Enquanto Arjun recitava suas palavras sagradas, uma menina
chamada Lila, com os pés descalços e o rosto empoeirado, aproximou-se dele.
— Arjun,
suas palavras são lindas, mas por que o riacho não ouve? Por que a terra não
responde? — perguntou ela, com olhos suplicantes.
Arjun,
surpreso, citou um verso sobre paciência e fé. Lila franziu a testa e
sentenciou:
—
Palavras não enchem barrigas, sábio. O que você faz com elas?
Naquela
noite, as palavras de Lila queimaram na mente de Arjun. Ele se lembrou de uma
frase que lera em um pergaminho antigo: “Não importa quantas palavras sagradas
tenha lido, não importa quantas palavras sagradas tenha dito… elas não servirão
para nada se você não agir de acordo com elas.” Buda, dizia o texto.
Na manhã
seguinte, Arjun não se sentou sob a figueira. Em vez disso, pegou uma pá e
começou a cavar um canal para desviar água de uma nascente distante. Os
moradores, inspirados, juntaram-se a ele. Dias depois, a água corria novamente,
e os campos voltaram a florescer. Lila, sorrindo, entregou a Arjun uma flor de
lótus.
— Agora,
suas palavras têm vida — disse ela.
Arjun
aprendeu que a verdadeira sabedoria não está nas palavras, mas nas mãos que as
transformam em ação. E a vila, antes silenciosa, passou a cantar com a força de
um riacho renascido.

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