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Mostrando postagens de novembro, 2026

Erro peculiar

Rogério revisava livros havia vinte e dois anos e tinha uma regra que nunca contou a ninguém: a primeira leitura era para o texto, a segunda era para os erros, e a terceira, feita em voz baixa, era para o que ele chamava de “o que não está escrito”. Naquela sexta-feira, a editora lhe mandou um romance de estreia. A autora, Helena Vasques, tinha sessenta e um anos e nenhum livro publicado. O arquivo chegou com um bilhete curto: “Prazo apertado. Ela insiste que seja lançado até o dia 15.” Ele começou a ler com o lápis na mão. O livro contava a história de um homem que atravessa uma cidade inteira a pé para entregar uma carta. Era um texto simples, quase manso. E cheio de erros: vírgulas fora do lugar, concordâncias tropeçando, uma personagem que mudava de nome na página 40 e voltava ao original na 52. Rogério foi riscando, corrigindo, anotando nas margens com a letra miúda de sempre. Na página 87, parou. Havia uma frase que dizia: “Ele não sabia que o caminho de volta era mais ...