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A sexta pessoa

Um empresário bem sucedido chama um estagiário para uma conversa breve. Ele aponta para diferentes grupos de pessoas que trabalham na sua empresa. E diz: “Se você anda com cinco pessoas dedicadas, você se torna a sexta. Se você anda com cinco pessoas estudiosas, você se torna a sexta. Se você anda com cinco pessoas milionárias, você se torna a sexta. Se você anda com cinco pessoas medíocres, você se torna a sexta. E por fim, se você anda com cinco pessoas más, você se torna a sexta.”  

Nascimento do olhar

    O pôr do sol avermelha o horizonte. O sol se põe no vermelho do horizonte. O vermelho se horizontaliza no sol. O pôr do sol orienta o vermelho. O horizonte deposita vermelhos no sol. Um sol se põe na vermelhitude ortogonal do horizonte. Um horizonte avermelha ao sol. Em decúbito dorsal o sol do sol avermelha. Horizontalizam vermelhos de sol. Solarizam rubros horizontes vergéis. Vertem vermelhos espelhos de sol. Horrorizontes vesgos vergam-se ao sol. Horrorizontes velhos vertem vespas de sol. Horrorizontes vermelhizam sendas de sol. Vertem rubros vergéis em horizontes de fel ao sol. Um pôr de sol depõe contra o horizonte. Vermelhorror: o sol se consome.   Susanna Busato    

Ser

Estranho O ser Que me estranha As entranhas O querer ser amado Enlaçado Envolto abraço Assanha Aranha carne, pele Seus lábios A manjedoura Que me espera Expele O gérmen do amor Que te guardo Intocado Nesse tempo etéreo Lou Albergaria

O que faz sentido

  Reformulamos o amor porém se fórmula não existia como repeti-la? É preciso criar um eco ambíguo que deixe de ser eco e tome a forma do que viver possa ter sido: encontraremos restos do sentido que num instante incerto alguma coisa fez e nunca poderá ser repetido Gastão Cruz

Brado negro

Braços negros erguidos clamam dignidade porque mais uma vida negra foi silenciada para sempre. O sangue derramado no chão diz: “Não seja o próximo!” Tiros, policiais, traficantes... Como se esquivar do abismo, do intolerante? O caos canta pela voz de coquetéis molotov, mas é o amor  que derruba a árvore da violência. Em hip-hops, pichações e protestos on-line a mesma máxima: “O negro sabe amar e sabe lutar!” Definitivamente, a noite grita por respeito e paz e depois o sol de cada dia forja a dignidade com corações puros: construir a igualdade destruída, unir negros e brancos, enfim, amar o ser humano. Uma criança negra me disse que o amor forja a vida pela luz de todas as cores. Anakin Ribeiro

Pandemia

No ano de 2222 um vírus matou 2 bilhões de pessoas no mundo. A pandemia obrigou as pessoas a ficarem dentro de suas casas. Enclausurados, amedrontados e impotentes, os homens evitavam a todo custo ser contaminados pelo vírus. Lojas, escolas, praças, parques, praias ficaram vazias. A economia foi arrasada, enquanto o manto tétrico da morte levava sua sombra à cidadela da civilização. O flagelo da doença era impiedoso. As ruas ficaram desertas, exceto por moradores de ruas, porque a pobreza nunca acabara. Ninguém nunca ligou para isso. E muitos deles, expostos ao vírus, pereceram nas ruas. Os sobreviventes não abandonaram a esperança, embora temessem a fúria implacável da pandemia. Os dias e as noites eram as testemunhas das lágrimas e dos lamentos dos homens. A ciência e a medicina não conseguiam decifrar o enigma do adversário. E os governos não tinham vacina nem cura para esse mal e só eram eficazes em enterrar os mortos. Um fato curioso é que a arte não existia em 2222. Govern...

Platônico

  Se você pensa que amar é ter uma cachoeira como testemunha, despir e possuir um corpo, então jamais diga: eu te amo.   A coisa mais erótica que há é renunciar um desejo irrenunciável.   A verdadeira conquista está na alma. É preciso possuir uma alma para amar de verdade e quando você jogar uma rosa imortal no abismo, o vento logo vai te devolvê-la porque o amor mais lindo dispensa dádivas, rejeita investidas, não se seduz por canções.     Se você busca o verdadeiro amor, negue-se, ame-se, multiplique a si mesmo um trilhão de vezes, e todas as suas versões olharão umas as outras indiferentes ao eco suplicante do sublime.   Faça a beleza gozar sem tocar nela. Faça a beldade gozar apenas com um poema.     Amar o que não se tem é a epifania da asseidade e só quem descobre esse tipo de amor consegue domar o selvagem corcel da magia. Anakin Ribeiro