Pular para o conteúdo principal

Postagens

Sempre vale a pena pagar para ver

A leitora Soraia envia a seguinte história, que pensa ter sido publicada no New York Times. Eu tenho minhas dúvidas, mas como sempre achei que vale a pena pagar para ver, resolvi transcrevê-la aqui. “Uma pessoa fez o seguinte anúncio no jornal The New York Times: Vendo Mercedes Benz, pouquíssimo uso, preto, turbo. Preço US$ 85,00; Tratar com Carolinne, Tel: xxxxxxxxx. Os que leram o anúncio pensaram que, por um erro gráfico, ao invés de US$ 85.000,00 imprimiram apenas US$ 85,00. Outros acharam que era uma espécie de trote, e acabaram não telefonando. Até que Joseph Smith, em sua ingenuidade, resolveu ligar para Carolinne e esta lhe confirmou o preço. Quis saber se era algum acessório, ou uma miniatura – e a mulher lhe informou que não, tratava-se do próprio automóvel. Mais do que depressa Joseph correu para a casa de Carolinne com os US$ 85,00 e – para seu espanto – lá estava Mercedes, lindo e reluzente na garagem. Depois de ter pago, e já com o recibo nas mãos, perguntou: ...

Além dos próprios limites

Um arqueiro seguia próximo a um mosteiro hindu, conhecido por sua rigidez, quando viu os monges no jardim, bebendo e se divertindo. “Como são cínicos aqueles que buscam o caminho de Deus”, disse em voz alta. “ Dizem que a disciplina é importante, e se embriagam às escondidas!” “Se você disparar 100 flechas seguidas, o que acontecerá com o seu arco?”, perguntou o mais velho dos monges. “Meu arco se quebrará”, respondeu o arqueiro. “Se alguém se esforça além dos próprios limites, também quebra sua vontade”, disse o monge. “Quem não equilibra trabalho com descanso, perde o entusiasmo, esgota sua energia e não chega muito longe”. Paulo Coelho

Desabafo sobre o amor

O amor é aquele carinha da sua escola, da primeira série, que te xingava de um milhão de palavrões infantis só porque você tinha os dentes da frente abertos. O amor é aquela caixa de morangos que parecem estar maravilhosos e, quando você abre, descobre que todos os que estavam no fundo estão podres. O amor é aquela seção de calças de cintura alta perfeitas, tamanho 32, que não cabem nem mesmo em modelos. O amor não é justo. E, talvez, o problema resida não no sentimento em si, e sim no timing. Duas pessoas, quando se encontram, têm a possibilidade mínima de se encontrarem no mesmo estágio de vida. Não importa se você é magra, loira e tem os olhos azuis, se o cara não tá a fim de namorar agora. Não importa quantos gominhos você tenha na sua barriga malhadíssima, se o outro te acha um saco. Conheci muita gente e me apaixonei por cada uma delas - paixão é sim, uma forma mínima de amar, por menor que seja. Conheci gente demais em tempos errados demais. Hoje, perce...

O que é viver

Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. Segundo o relatório do seguro social, o idoso não tinha herdeiros ou parentes vivos. Suas posses eram muito simples. O apartamento alugado, um carro velho, móveis baratos e roupas puídas. “Como alguém passa toda a vida e termina só com isso?”, pensou o advogado. Anotou todos os dados e ia deixando a residência quando notou um porta-retratos sobre um criado mudo. Na foto estava o velho morto. Ainda era jovem, sorridente, ao fundo um mar muito verde e uma praia repleta de coqueiros. À caneta escrito bem de leve no canto superior da imagem lia-se “sul da Tailândia”. Surpreso, o advogado abriu a gaveta do criado e encontrou um álbum repleto de fotografias. Lá estava o senhor, em diversos momentos da vida, em fotos em todo canto do mundo. Em um tango na Argentina, na frente do Muro de Berlim, em um tuk tuk no Vietnã, sobre um camelo com as pirâmides ao fundo, tomando vinho em frente ao Col...

Crônica da crônica

Sou uma crônica. Desde que alguém me inventou – e isso já tem um tempinho – andei por um monte de lugares menos nobres que esse post. Nasci num caderno de anotações. Não, não era um moleskine com capa de couro e procedência garantida por certificado. Era um bloquinho tosco e ensebado. O meu Autor era um pouco mais jovem e, cá entre nós, meio cabeça de vento. Apesar de não ser dos mais envernizados eruditamente falando, achava-se o Rubem Braga da Zona Oeste. Toda vez que vinha até as páginas do bloco escrevia trechos de mim, mas acabava não me concluindo. Foram meses e meses assim. E eu não sabia o que era pior: quando ele chegava do nada, escolhia uma folha a esmo e tentava desenvolver alguma ideia nela ou quando ia embora e me largava semanas dentro da sua mochila úmida e escura. Não preciso dizer que a presença ou a ausência dele me provocavam igualmente uma gastura tremenda. Houve instantes em que me desesperei e lancei aos céus uma lamentação chorosa: po...

O caso do acaso

foi numa curva feita às pressas foi ali, que me vi em teus olhos refletida  entretons castanhos, soube-me perdida e pecar em ti foi um ato quase inocente quando errar parece ser simplesmente o mais certo e salivei, ainda desconhecendo teu o gosto e antecipei no pensamento milhares de versos rascunhos secretos dos meus desejos latentes a espera que a gaveta certa fosse fatalmente aberta e foi... Eliane Barreto

O fazedor de amanhecer

Sou leso em tratagens com máquina. Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis. Em toda a minha vida só engenhei 3 máquinas Como sejam: Uma pequena manivela para pegar no sono. Um fazedor de amanhecer para usamentos de poetas E um platinado de mandioca para o fordeco de meu irmão. Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias automobilísticas pelo Platinado de Mandioca. Fui aclamado de idiota pela maioria das autoridades na entrega do prêmio. Pelo que fiquei um tanto soberbo. E a glória entronizou-se para sempre em minha existência. Manoel de Barros